Maxxyma no maior evento de esportes de inverno do mundo

Maxxyma no maior evento de esportes de inverno do mundo

No dia 27.02.16, eu participei do Pentathlon des Neiges, que ocorre todos os anos aqui na cidade de Québec, onde vivo atualmente. Apesar da distância, continuo com a Naimara coordenando meus treinos de corrida, sobretudo porque minha prova alvo esse ano é a Marathon Lévis-Québec, programada para agosto. O maior desafio é manter a rotina de treinos, considerando o frio polar que faz nessa época do ano. Aproveitei o inverno para fazer meu treinamento de base, de forma que agora já entramos num ciclo visando a maratona.

Explicando melhor o contexto desse evento de que participei, ele é muito semelhante ao Triathlon na parte operacional, relacionada com a área de transição e as possibilidades de revezamento. O diferente para a gente são as modalidades, típicas do inverno canadense e o desafio das condições climáticas. Explico cada uma delas a seguir:

Etapa 1 – Bicicleta : Até aí nenhuma novidade em relação ao triathlon tradicional, mas a dificuldade está em pedalar na neve ou com asfalto coberto de gelo. Existe uma bicicleta específica para essas condições que se chama fat bike, isso mesmo, bike gorda. Ela tem esse nome porque os pneus são bem mais grossos, dando a ela uma aparência mais parruda. Apesar de parecer pesada, ela é até bem leve, graças aos materiais com que é feita. De resto, é parecida com as bicicletas que já conhecemos. Na prova, é possível usar qualquer tipo de bicicleta, até porque a velocidade não é tão alta assim. O que conta muito é a atenção para evitar acidentes e alguma técnica de pedal para as condiçoes climáticas, sobretudo vento.

Etapa 2 – Corrida : Mais uma modalidade em comum, porém que exige alguma técnica e preparo em função das condicções de prova : neve ou gelo no solo e temperaturas muito baixas, que demandam maior energia do corpo para manter-se aquecido. O ritmo pode variar muito, entäo é essencial estar atento a qualquer sinal do corpo, seja em termos de demanda muscular ou cardio-respiratória, incluindo possível amortecimento de extremidades por causa do frio.

Etapa 3 – Ski de fond : A partir daqui, começam as novidades. Essa etapa é o ski que todos devem conhecer, porém realizado num circuito técnico que inclui trechos planos e alguns obstáculos. É diferente do ski alpino, feito em montanha. Mas demanda técnica do mesmo jeito.

Etapa 4 – Patins (Skate) : Os participantes devem realizar 12 voltas numa pista de patinação em formato de anel. Apesar de ser plano, o desafio é mental! Quem já ficou dando voltas no parque correndo, sabe bem como é chato…

Etapa 5 – Raquette (Snowshoeing) : O nome é engraçado e lembra realmente uma raquete. Só que ela é utilizada nos pés, normalmente com um tênis adaptado a esse suporte e que pode ser fixo ou articulado. A raquette é praticada de forma semelhante à corrida, mas quando o terreno apresenta muita neve, e de preferência mais fofa. Facilita o deslocamento, que pode ser correndo ou caminhando, mas apresenta maior resistencia.

Este ano participei da equipe CoureursDneiges (Corredores das Neves), junto com meu marido Julien e seus amigos Isabelle, Mathieu e Dennis. Todos já haviam participado no ano passado, mas sem grandes metas de tempo e performance. Aliás, a organização oferece oportunidades de desafios para o público em geral, de crianças a idosos. Havia até mesmo equipes formadas por famílias ou apenas adolescentes. Essa diversidade é muito bacana para a prova. Os atletas de elite disputam uma prova oficial de Triathlon de neve que aconteceu à tarde e envolvia corrida, patins e ski.

Quando chegamos, fomos buscar os dossards, que são os números de peito. Aqui ele é feito no formato de um colete, com o nome e número da equipe na frente e atrás, para facilitar a visualização. Bem melhor do que ficar usando alfinetes. Feito isso, seguimos para a área de transição, que é semelhante ao triathlon que conhecemos. A diferença está nos equipamentos que aparecem e que para toda equipe fica uma cadeira à disposição, essencial para poder colocar os patins, as raquettes ou as botas de ski com um mínimo de conforto.

Nossa largada foi às 8.15 em ponto. Aliás, o comentador estava dando esporro na galera por causa da demora para todos se alocarem na transição. Achei engraçado! No Brasil se leva um pouco mais de boa… A primeira etapa, de ciclismo, começa com todos os atletas largando correndo até onde as bicicletas estavam. É uma forma de fazer com que eles se aqueçam e melhorar a logística de saída.

Maxxyma Pentathlon

A dificuldade maior que eles encontraram foi trechos com gelo no asfalto, pois na noite anterior estava muito frio. A prefeitura fez o possível para melhorar as condições dessa etapa, mas mesmo assim recomendou-se prudência aos atletas. O Dennis nos representou com sua fat bike e fechou 8.8km em 34’.

Maxxyma Pentathlon

Depois foi a minha vez de dar o máximo! Nos treinos, procurei vivenciar a experiência de correr na neve, evitando a minha mania de descobrir como são as coisas bem na hora do vamos ver. O problema é que existem vários tipos de situações metereológicas que criam diferentes tipos de neve. Felizmente, 1 semana antes, incluí no meu treino de 10km, 3 deles dentro do parque Plaines d’Abraham, que foi onde a prova se realizou. Fiz um trecho mais difícil, pegando até inclinação e quase morri. Não foram essas as condições da prova, feita apenas no plano e com trechos de neve batida e asflato quase seco. Mas se a gente sobrevive ao pior, melhor na prova.

A Naimara recomendou que eu apenas fizesse força e não me preocupasse com GPS ou pace. Antes de correr, fiz todo o nosso ritual de aquecimento de todo treino, essencial num dia em que a sensação térmica era de -20oC para baixo (sim é possível). Quando larguei estava devidamente aquecida e pronta para dar o meu melhor. Apesar do frio, bastante gente estava acompanhando a prova e o apoio deles é essencial para, literalmente, quebrar o gelo. Os gritos eram : Allez! (Vai lá!) e Lachez-pas! (Não desista!) Pois bem, até agora não sei como, mas consegui completar os 3.4km em 16’21, pace de 4’48. Aproveitei bastante o trecho em asfalto seco para recuperar o tempo na neve. A gente desliza muito por não ter tanta aderência e nessas horas é melhor não abusar da sorte. Terminei bem e feliz pelo feito sensacional no gelo! Pela experiência anterior no treino, achei que faria um pace de 6’. Mas…como diz Arnaldo (ou alguém do meio esportivo) : treino é treino! Jogo é jogo!

Maxxyma Pentathlon

Na sequência, a Isabelle entrou em cena com o ski de fond. Nesse caso, a pessoa sai da transição segurando os skis e os bastões utilizados para ajudar na impulsão. Só colocam os equipamentos antes da largada, por uma questão de segurança. É a mesma coisa quando retornam. Seria bem complicado de se movimentar na transição com o equipamento ainda nos pés. Ela fechou os 6km em 35’25, quase 3’ a menos que no ano passado. O circuito foi todo montado no parque, incluindo obstáculos como rampas. Aliás, o parque conta com uma boa estrutura para quem quer praticar ski no inverno e o melhor é que é de graça. Caro mesmo é investir nos equipamentos. Isso ainda não me pertence…

Maxxyma Pentathlon

Terminado o ski de fond, foi a vez do meu amado marido, Julien, patinando no gelo. Nesse caso, ele já sai com os patins até o anel de gelo de 400m. O objetivo era completar 12 voltas, fechando um total de 4.4km. A organização monitora cada volta de cada atleta. Para patinar no gelo rápido, é preciso inclinar bem o corpo e agachar, mantendo os braços para trás, para ficar numa posição mais aerodinânica. Tem gente que patina como profssional, trocando os pés nas cruvas, uma coisa linda de se ver. Quero ser assim quando eu crescer… Como boa torcedora, fiquei quase todo o tempo vendo o Julien passar e gritando : Vai, Amor! Ele completou o desafio em 19’ e eu, claro, fiquei muito orgulhosa!

Maxxyma Pentathlon

E finalmente, a etapa de raquettes chegou, com a participação do Mathieu. O circuito é todo com neve e apresenta alguns obstáculos também, como no ski de fond. Nunca corri dessa forma, mas imagino que é mais difícil do que sem as raquettes. Ele completou 3.3km em 27’25, quase a mesma distância que eu corri em 11’ a mais, ou seja, é puxado! O Mathieu ficou satisfeito porque esse ano, não andou em momento algum e baixou seu tempo em 5’. Diria que meu próximo investimento em esportes de inverno será nas raquettes. Acho que vou me sentir mais em casa!

Maxxyma Pentathlon

No geral, concluímos a prova em 2h12’, ficando em 115 de 199 equipes no Overall e 53 de 96 equipes na categoria. Duro mesmo é ficar na área de transição com o frio que estava. Mas o pessoal é animado mesmo assim e quando a comeptiçäo começa a gente até se esquenta com a empolgação. Além disso, a organização oferece bebidas quentes, como chá, Gatorade mais morno, um caldinho bem quente e barrinhas de frutas. Depois da prova, eles deram um kit de lanche com um sanduíche e sopa de legumes, bem quentinha. Também havia uma tenda aquecida que servia de lounge e área de exposição dos patrocinadores.

Uma das coisas mais importantes de se morar aqui é saber aproveitar a vida ao ar livre no inverno. A atividade física é excelente para afastar depressão, sem falar que treinar nessas condições mais extremas certamente fortalece o nosso emocional. Estou bastante satisfeita com meus treinos e plantando no inverno para colher no verão, quando participo da minha primeira maratona em solo canadense!

Maxxyma Pentathlon

 

Ana Carol Sommer

Ana Carol Sommer

Ana Carol é corredora há 7 anos e contradizendo as superstições não passou por nenhuma crise cabalística. Inclusive, pretende se especializar em meias maratonas, buscando a consagração na Golden Four Asics em 2014.

Uma respostapara Maxxyma no maior evento de esportes de inverno do mundo

  1. Leandro Grippo disse:

    Legal a experiência!!! Parabéns 🙂 da medo só de olhar esse frio!!!!

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