Ser treinador é padecer no paraíso

Ser treinador é padecer no paraíso

Quem vê aquele cara de agasalho que vive te dando bronca, reclamando dos seus intervalados e abusos do treino do fim de semana ou então que te olha de cara feia quando a rotina de treinos está ruim, não tem nem ideia do que passa dentro daquela cabecinha…

Quando você chega para ele com aquele objetivo mirabolante, em alguns milésimos de segundo passam algumas coisas pela cabeça dele, nada muito sério apenas repita sem respirar as seguintes palavras: capacidade, periodização, base, específico, choque, ordinário, recuperação, compensação, biomecânica, nutrição, sobrecarga, especificidade, performance, repetição, adaptação, funcional, morfológico, cognitivo, afetivo, psicológico, rendimento, individualidade, FC, Lactato, VO2, estímulo, supercompensação, volume, intensidade… não nessa ordem mas um mapa do futuro, uma estratégia vai se definindo e da boca dele pode sair um “é possível, vamos lá!!”

A partir daí, começamos uma jornada e um envolvimento que geralmente termina em um final feliz.

Serão semanas, meses, e em alguns casos, como uma Maratona ou um Ironman, isso pode durar anos. O sucesso, a linha de chegada em um determinado tempo ou distância não serão só a sua satisfação e vitória, serão também a satisfação e vitória do seu treinador. Sobre a derrota, não vamos falar porque para mim derrota é só um estado, um período transitório para se chegar aonde planejamos.

Quando estou em véspera de uma prova importante (todas são, mas nesse caso falo daquelas que se espera performance e a dedicação na prescrição e na execução treinos foi de total doação) a ansiedade é grande e quando faço o traçado da prova na cabeça de repente me percebo em apneia.

É, meus amigos… nós, treinadores, também temos nossos medos. Medo de ter errado em algum estímulo, de não ter dado a motivação que o atleta precisava, de não ter dado uma bela bronca na hora certa ou então de ter exagerado nela. No treinamento conseguimos calcular muita coisa, mas quando se fala em atleta amador, as variáveis são muitas e o que te ensinam no meio acadêmico pode cair por terra diante da individualidade, do dia a dia, da divisão treino, trabalho, família e amigos. Nisso a experiência é um forte aliado; os erros e acertos dão uma bagagem e a vontade de aprender mais. Nem por isso a cada novo ou velho desafio ficamos com menos frio na barriga.

No próximo final de semana temos duas competições importantes, o Ironman Florianópolis e a Maratona de Estocolmo, os três inscritos nessas provas deram seus primeiros passos conosco e são exemplos de disciplina e dedicação. Se estou ansiosa? MUITO, pois ainda não me transformei em uma máquina de montar planilhas e também anseio pelas vitórias como todos vocês!!!

– Rosa Naimara

2 Respostaspara Ser treinador é padecer no paraíso

  1. Patrícia disse:

    Então a minha vitória também é sua!!! E juntas ,com muito mimimi no meio do caminho ,cruzaremos a linha de chegada!!!

  2. Luana disse:

    Profe vc é um exemplo!
    Adoro as broncas quando tento burlar suas planilhas hihihi.
    Estejamos juntas em muitas conquistas que estão por vir!
    Obrigada por todo apoio e pela dedicação sem limites 🙂

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